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	<title>Ideias privadas, memórias públicas… &#187; Cibercultura</title>
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	<description>O blog de Luciano Caroso: etnomusicologia, ciberspaço, tecnocultura e outros bichos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 21 Oct 2011 18:17:45 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Videoclipe amador</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 01:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cibersociedad]]></category>
		<category><![CDATA[Etnomusicologia do ciberespaço]]></category>
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		<description><![CDATA[[Este texto foi escrito originalmente para o Observatorio de Práticas Musicales Emergentes, da Sociedad de Etnomusicología] A partir de sites como o YouTube, o conceito de videoclipe sofreu importantes modificações. Além de oferecerem uma via alternativa e poderosa de divulgação, tais sites interferiram significativamente nas formas de produção, na estética e na própria audiência dessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5>[Este texto foi escrito originalmente para o <a href="http://observatorio-musica.blogspot.com/" target="_blank"><em>Observatorio de Práticas Musicales Emergentes</em></a>, da <a href="http://www.sibetrans.com" target="_blank"><em>Sociedad de Etnomusicología</em></a>]</h5>
<p>A partir de sites como o YouTube, o conceito de videoclipe sofreu importantes modificações. Além de oferecerem uma via alternativa e poderosa de divulgação, tais sites interferiram significativamente nas formas de produção, na estética e na própria audiência dessa linguagem audiovisual. Essa audiência, antes passiva frente a canais de televisão como MTV, efetivamente mudou sua atitude. Agora, através de programas de edição de vídeo dirigidos para amadores, como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Windows_Movie_Maker" target="_blank">Windows Movie Maker</a> ou o<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Imovie"> </a><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Imovie" target="_blank">iMovie</a> do Mac, constrói novas narrativas para os textos musicais, por via de técnicas variadas. Os videoclipes que surgem são uma espécie de meio de elaboração, de expressão da visão êmica. E, assim, sugerem reconfigurações que não só mostram-se adequadas às demandas e comportamentos no ciberespaço como evidenciam o poder de interatividade e &#8220;<a href="http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP15_bastos.pdf" target="_blank">samplertropofagia</a>&#8221; que tal meio oferece.</p>
<p>Algumas pessoas encaram essas produções amadoras como uma espécie de lixo digital, possibilitado pelas facilidades tecnológicas e barateamento dos custos de armazenamento dos bytes na Internet. Muitos desses videoclipes podem ser considerados <em>spoofs</em>, ou seja, variantes paródicas de outros vídeos, dentro de um processo viral de disseminação de informação, em inúmeras vias da dita <a href="http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html" target="_blank">Web 2.0</a>. Apontam para desconstruções dos parâmetros da &#8220;alta cultura&#8221;, bem de acordo com alguns preceitos das perspectivas pós-modernistas.</p>
<p>Falando particularmente da realidade brasileira, estes videoclipes são &#8220;sonorizados&#8221; por canções que, via de regra, tocam e fazem sucesso na televisão e no rádio, mas também podem ser de bandas emergentes e até música composta e gravada despretensiosamente, sem intenções profissionais. Porém existe utilização frequente, de um lado, de canções de artistas e bandas dirigidas ao público adolescente, e de outro, de canções associadas a gêneros musicais apreciados por camadas sociais mais populares, como o &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=HJRgrxajXzg" target="_blank">forró eletrônico</a>&#8220;. Neste último contexto é comum o uso de letras de duplo sentido, o que é peculiarmente apropriado pelos videomakers amadores, na reconstrução dos discursos originais. De uma forma geral, quando se trata de um <em>spoof</em>, sua interpretação tende à literalidade. Assim, por exemplo, a palavra &#8220;cruzeiro&#8221;, que no contexto do vídeo (ou áudio) original foi utilizada para referir-se a uma composição de estrelas em forma de cruz, pode ser representada pela figura de uma cédula do cruzeiro (antiga moeda brasileira) ou do escudo do time de futebol Cruzeiro (do Estado de Minas Gerais).</p>
<p>Criatividade, originalidade, repetição, fruição, popularidade, viralidade, ética e  outros são conceitos que vão sendo reinventados nesses tempos onde as relações encontram-se hipermidiatizadas. Sites como o Youtube oferecem ambiente adequado para essas relações acontecerem, além de um manancial quase infinito de outras possibilidades. Não é à toa que William Gibson, o inventor do termo &#8220;ciberespaço&#8221;, numa época onde estar online ainda era quase uma ficção científica, acha o Youtube &#8220;<a href="http://voidmanufacturing.wordpress.com/2008/10/01/william-gibson-interview/" target="_blank">a coisa mais fascinante da Internet de hoje</a>&#8220;. Os videoclipes amadores são uma boa demonstração de todo esse processo. Abaixo alguns exemplos de técnicas e procedimentos diferentes, utilizados na sua elaboração:</p>
<p><strong>Imagem</strong></p>
<p>1. Remix de videoclipe conhecido com imagens originais.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ekvwqq9LmPU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/ekvwqq9LmPU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>2. <em>Spoof</em> cuja recomposição de elementos cria um produto audiovisual &#8220;original&#8221;.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/olAzqcdcsJc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/olAzqcdcsJc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>3. Flagrante de cena cotidiana associado a canção com discurso compatível.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/MB67WVu-jVE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/MB67WVu-jVE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><br />
Ambientes de simulação</strong></p>
<p>1. Performance ao vivo em metaversos.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/BFCpsxb6m8s&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/BFCpsxb6m8s&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>2. Contextualização feita com jogos de simulação.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/wPAlJy7-A_I&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/wPAlJy7-A_I&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><br />
Fotos</strong><strong>, desenhos, gifs, figuras&#8230;</strong></p>
<p>1. Fotos sequenciais (stop-motion).<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/oooAWRF086Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/oooAWRF086Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>2. Desenhos feitos e coloridos à mão com lápis de cor, canetas hidrográficas, etc.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/OIz-g932vxA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/OIz-g932vxA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>3. Desenhos feitos &#8220;ao mouse&#8221; com programas como o Paint do Windows.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8iQM1o8kuEw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/8iQM1o8kuEw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>4. Gifes animados colhidos de fontes variadas.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7A3okHqb0A8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/7A3okHqb0A8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>5. Gifs animados e fotos com intenções descritivas, irônicas e literais.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KTOCLlqPf4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/KTOCLlqPf4o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
<strong><br />
Outros</strong></p>
<p>1. Animação feita com caracteres ascii em Excel.<br />
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/h9_YkXHCkgA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/h9_YkXHCkgA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Os casos como o de Lídio Mateus e o comportamento no Brasil Web 2.0</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2008/11/07/comportamento-brasil-web-20/</link>
		<comments>http://luciano.caroso.com.br/2008/11/07/comportamento-brasil-web-20/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 16:51:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lídio Mateus em performance no Youtube Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como Youtube e Orkut declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da Fresno, uma banda ligada ao gênero musical emocore. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a canção &#8220;Uma Música&#8221; e colocar na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" dir="ltr">
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/3hVyDYsTMCI" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe><br />
<span style="font-size: xx-small;">Lídio Mateus em performance no Youtube</span></div>
<div dir="ltr">Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como <a href="http://br.youtube.com/user/lidiomateus" target="_blank">Youtube</a> e <a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=7295225956756002522" target="_blank">Orkut</a> declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da <a href="http://www.fresnorock.com.br" target="_blank">Fresno</a>, uma banda ligada ao gênero musical <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Emo" target="_blank">emocore</a>. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a <a href="http://www.goear.com/listen.php?v=de7fee8" target="_blank">canção</a> &#8220;<a href="http://cifraclub.terra.com.br/cifras/fresno/uma-musica-swmwmm.html" target="_blank">Uma Música</a>&#8221; e colocar na Internet. Só que Igor, seu sobrinho de uns 5, 6 anos, resolveu atrapalhar: começou a gritar &#8220;aê ô fresco, boiola&#8221; e Lídio teve de interromper a gravação do vídeo logo nos primeiros versos. Assim mesmo decidiu colocar esta gravação no Youtube. Pela data lá no site, o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=Fj-Ybx9xz4w" target="_blank">vídeo</a> foi postado em 12 de julho de 2008. No momento em que escrevo este texto, em 07 de novembro de 2008, já conta com 113.084 exibições. Não se sabe muito bem como o vídeo foi parar em &#8220;sites de comédia&#8221; como <a href="http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=690764" target="_blank">Kibe Loco</a> e, como referem os <a href="http://br.youtube.com/comment_servlet?all_comments&amp;;v=3hVyDYsTMCI&amp;;fromurl=/watch%3Fv%3D3hVyDYsTMCI" target="_blank">comentários</a> de uma <a href="http://br.youtube.com/watch?v=3hVyDYsTMCI" target="_blank">outra versão do mesmo vídeo</a> no Youtube, até no JB (Jornal do Brasil?). Esta outra versão, postada há pouco mais de uma semana (29/01/2008), já foi assistida 262.945 vezes até este instante.<br />
Parece claro que se iniciou o que os entendidos chamam de &#8220;processo viral&#8221;, alimentado também por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Microblogging" target="_blank">microbloggins</a> como <a href="http://twitter.com" target="_blank">Twiter</a> e <a href="http://www.plurk.com" target="_blank">Plurk</a>, além de <a href="http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=18689053" target="_blank">comunidades no Orkut</a> e tantos outras plagas desse ciberespaço louco. Lídio bloqueou a possibilidade de se fazer comentários no vídeo original. Porém, a busca pelas palavras-chave &#8220;<a href="http://br.youtube.com/results?search_query=fresco+boiola&amp;;search_sort=video_view_count" target="_blank">fresco boiola</a>&#8221; no Youtube, no momento, retorna 32 vídeos. A maioria absoluta é composta de cópias do vídeo original, ou de outros vídeos que parecem ter sido postados originalmente no Perfil de Lídio ou de respostas ao vídeo dele. Perfis com seu <a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=12368940126757857184" target="_blank">nome</a> e <a href="http://www.fotolog.com/lidiomateus/" target="_blank">fotos</a> foram criados no Orkut e outros.  A <a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;q=fresco+boiola&amp;btnG=Pesquisa+Google&amp;meta=" target="_blank">mesma busca</a> no Google retornou, agora mesmo, cerca de 7800 resultados.<br />
As pessoas têm se dedicado principalmente a zombar do rapaz. O bordão &#8220;aê ô fresco, boiola&#8221; é extremamente repetido por aí. <a href="http://oblog.com.br/asttro/novo-sucesso-do-youtube" target="_blank">Blogs</a> &#8220;contam&#8221; sua história aos <a href="http://fazsentido.blogspot.com/search?q=l%C3%ADdio" target="_blank">borbotões</a>. Adolescentes gastam seu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Migux%C3%AAs" target="_blank">miguxês</a> (incluindo &#8220;<a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=6629166925091216302" target="_blank">amigos</a>&#8221; a quem Lídio agradece o apoio em seu &#8220;<a href="http://lidiomateus.blogspot.com/2008/11/explicao.html" target="_blank">blog oficial</a>&#8220;) numa infinidade de comentários onde a tônica é o preconceito e a zombaria. &#8220;Maldita inclusão digital&#8221;, &#8220;suburbano&#8221;, &#8220;viadinho&#8221;, &#8220;florzinha&#8221;, &#8220;morte aos emos&#8221; e tantas outras &#8220;amabilidades&#8221; que não valem ser pronunciadas por aqui, são expressões que pululam por todo lugar, como nos comentários de <a href="http://br.youtube.com/comment_servlet?all_comments&amp;;v=3hVyDYsTMCI&amp;;fromurl=/watch%3Fv%3D3hVyDYsTMCI" target="_blank">uma das cópias do vídeo</a>.<br />
O que é isso?! Quando é que o ser humano vai ser tornar algo do qual possa, pelo menos, não se envergonhar? Eu poderia aqui lançar mão daquele discurso que o brasileiro vive essa realidade &#8212; onde o terreno é fertilíssimo para a exploração midiática de casos como o de Eloá e o de Isabella Nardoni e completamente estéril para a discussão de questões sociais efetivamente relevantes &#8212; por causa do mais sério problema do nosso país: <strong>educação</strong>. E estaria certíssimo. Mas o buraco ainda é mais embaixo. Quem acredita na espiritualidade e reencarnação, como eu, sabe que esta condição é intrínseca à toda raça humana. Transcende aspectos como etnia, territorialidade e situação sócio-econômica.<br />
Voltando ao Brasil, já que Obama ganhou mas o americano continua achando que nossa capital se chama Buenos Aires: Lídio é mais uma dessas pessoas que se tornaram &#8220;celebridades&#8221; através da tão badalada <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0" target="_blank">Web 2.0</a>, principalmente por via do Youtube. <a href="http://br.youtube.com/watch?v=87xcp4FeQSI" target="_blank">Jeremias</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=I4deplqijVA&amp;;feature=related" target="_blank">Bill Goiaba</a> e <a href="http://br.youtube.com/watch?v=qCyZV0GZfHU" target="_blank">Sônia</a> são alguns dos seus muitos antecessores. Por trás desses casos estão problemas sociais brasileiros seríssimos como alcoolismo e pobreza (que traz no seu bojo, nestes exemplos citados, mazelas como subnutrição, comprometimento da cognição, falta de perspectiva de vida, etc). Essas pessoas até vêm instigando a criatividade de outras a produzirem peças áudio-visuais efetivamente interessantes do ponto de vista composicional e musical. Os quatro em questão (<a href="http://br.youtube.com/watch?v=T_-blAmfh7U" target="_blank">Jeremias</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=qceU1B2wIKQ" target="_blank">Bill Goiaba</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=olAzqcdcsJc" target="_blank">Sônia</a> e <a href="http://br.youtube.com/watch?v=jCMUAfz0CZw" target="_blank">Lídio</a>) têm pelo menos uma versão dessas peças, às quais, por falta de um termo melhor, eu dei o nome de &#8220;vídeo-funks&#8221;. Esses vídeo-funks têm chamado tanto a minha atenção que me fizeram mudar completamente o objeto teórico da minha tese de doutorado em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ethnomusicology" target="_blank">etnomusicologia</a>. Há neles aspectos muito importantes e atuais dos processos criativos e de transmissão de música nesse contexto das comunidades virtuais, como reciclagem, bricolagem (<a href="http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP15_bastos.pdf" target="_blank">samplertropofagia</a>), questões de propriedade intelectual, entre muitos outros. Mas o brasileiro, ao que parece, tem dedicado seu tempo muito mais para fazer piada e zombar das pessoas envolvidas e muito menos para discutir as importantes questões sociais que esses vídeos denunciam. Infelizmente.</div>
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