Ideias privadas, memórias públicas…

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O blog de Luciano Caroso: etnomusicologia, ciberspaço, tecnocultura e outros bichos

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Archive for Overmundo

Bonifácio

Hoje eu recebi a notícia do lançamento do DVD Melhor Assim de Teresa Cristina, que tem a música “Bonifácio”, uma composição minha, de Márcio Valverde e Carlos Colavolpe. Tão envolvido que estou com uma tese de doutorado que parece  nunca ficar pronta, já havia me  esquecido do fato e da imensa alegria que senti quando soube que essa nova diva do samba no Brasil, de quem sou fã declarado, gravou nossa música.

“Bonifácio” também é um dos sambas constantes no CD Samba Nunca é Demais, que nós gravamos há um tempo e que ainda estamos batalhando para vê-lo publicado.

Quero deixar aqui registrado um papo que tive com o amigo Carlos Zanchetta sobre a canção:

from: Carlos Zanchetta
to: Luciano Caroso
date : Fri, Oct 30, 2009 at 7:23 AM

Diga Luciano:

Porra, você é co-autor dessa maravilha? Achei muito bom esse samba. Acho que vocês conseguiram, com a simplicidade da melodia e um 7 cordas das antigas marcando o tempo da narrativa, contar um bela estória; trágica, mas comovente pela forma. De quem é a letra? E a música?
Ouvi uma 20 vezes o samba. É de uma simplicidade comovente, a estória e a estrutura melódica. Simples e bonita como uma obra de arte, sem exagero. E é, de fato. Disse a Colavolpe que achei a estória que ele conta em Bonifácio meio autobiográfica. Imagine: o Colavolpe que sai de onde estava, sua Portela, e vai pra Lapa, levado pela paixão e fama, se casar com sua “nega” Maristela. Se estou certo em minha suposição, ele deve ter sofrido com a situação. Daí o Bonifácio, mestre da cuíca, ter ficado “no nada” (isso é Guimarães Rosa! É como começa o Grande sertão: veredas). Bom em tudo, como ele era, termina “bom de nada”. O que remete a estar perdido, sem rumo, pois a sonoridade da expressão “bom de nada” sugere “bonde… nada”, isto é, “nada do bonde”, que não chegou e talvez nem venha mais. Além disso, joga a ambientação para os anos 50, época dos bondes.
Enfim, pode ser pura viagem, mas foi a chave que usei para interpretar a música, movido, certamente, pela memória do grupo do Colavolpe cantando seus sambas-lamento, lá no Flamengo.
Foi só ouvir Bonifácio e a memória entrou no automático, com flashs que me fizeram interpretar assim esse belo samba. Parabéns aos três, então, pela obra!

Grande abraço!

Carlos Zanchetta

— —

from: Luciano Caroso
to: Carlos Zanchetta
date: Fri, Oct 30, 2009 at 10:13 AM

Caro Zanchetta:

Obrigado pelas palavras elogiosas a “Bonifácio”. Se há méritos em compor uma boa canção, neste caso os maiores devem ser reconhecidos na figura de Colavolpe. Os embriões, tanto da melodia quanto da letra, foram, há muito tempo atrás, compostos por ele. Em cima da idéia já instituída é que eu e Márcio trabalhamos. Márcio, primeiro,  interferindo na letra com elementos que definiram esse clima meio Rio de Janeiro da primeira metade do século XX (como você bem observa em seu texto), que antes estava somente insinuado. A nega Maristela e a Lapa, por exemplo, são inserções dele. Eu, em seguida, adaptando a melodia existente, compondo o restante e tentando preservar o espírito com o qual a canção nasceu.
Pelo seu comentário suponho que tenha como referência auditiva a gravação provisória de Teresa Cristina. A definitiva foi feita agora, dia 27 no Rio, na gravação de seu DVD “Melhor Assim”. Enviamos uma gravação caseira comigo cantando pra ela, no final de 2007. Depois fizemos duas pequenas modificações e gravamos no disco que fizemos, eu, Márcio e Colavolpe. Agora, quando recebi a gravação dela, a minha referência era o nosso disco, onde Bonifácio ganhou um arranjo diferente, que evidencia o tom trágico que a letra tem. Tanto pra mim quanto pra Colavolpe foi inicialmente um impacto ouvir a gravação de Teresa, acostumados que já estávamos com a versão do disco. Depois, ao revisitar minhas gravações caseiras, achei a que mandamos pra ela e relembrei (já havia esquecido) que quando a canção ficou pronta, tinha esse clima que Teresa Cristina preservou.
Não sei se você tem a gravação do nosso disco. Esta pode ser ouvida, assim como o restante das faixas, em [http://luciano.caroso.com.br/samba-nunca-e-demais].

[]s,

Luciano Caroso

 

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Gravação do CD Samba nunca é Demais, cantada por Márcio Valverde

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Gravação provisória, por Teresa Cristina

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Gravação caseira feita por mim

 

Os casos como o de Lídio Mateus e o comportamento no Brasil Web 2.0

[youtube 3hVyDYsTMCI]
Lídio Mateus em performance no Youtube
Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como Youtube e Orkut declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da Fresno, uma banda ligada ao gênero musical emocore. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a canção “Uma Música” e colocar na Internet. Só que Igor, seu sobrinho de uns 5, 6 anos, resolveu atrapalhar: começou a gritar “aê ô fresco, boiola” e Lídio teve de interromper a gravação do vídeo logo nos primeiros versos. Assim mesmo decidiu colocar esta gravação no Youtube… [Tá com saco? Leia o restante]

O Samba-lenço de Mauá, São Paulo

Entre as apresentações que aconteceram durante a inauguração da Casa do Samba em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 14 de setembro de 2007, uma me chamou a atenção, a princípio pelo carisma e articulação da mulher que é uma espécie de cantora/animadora. Depois veio a curiosidade em relação ao nome, Samba-lenço, que mesmo tendo uma referência iconográfica óbvia na utilização de um lenço como adereço coreográfico, me parecia ter implicações mais profundas… [Tá com saco? Leia o restante]

Os novos tempos já se ouvem…

Há algum tempo atrás veio uma notícia que chamou a atenção do mundo do entretenimento e da tecnologia: a banda britânica Radiohead disponibilizou para download seu novo álbum, In Rainbows, em seu site, com a seguinte regra: você baixa e paga quanto e se quiser. Um estudo divulgou que “durante os primeiros 29 dias de outubro, 1,2 milhão de pessoas de todo o mundo visitaram o site para download do In Rainbows. Destas, 62% decidiram não pagar nada pelo álbum.” Mesmo assim… [Tá com saco? Leia o restante]

De Pachelbel a Avril Lavigne

Numa discussão acerca dos perfis acadêmico e técnico dos profissionais de música, que de tão “engajada” e “engessada”, acabou se tornando enfadonha, ouvi algumas referências sobre um certo vídeo: “este é um vídeo sobre o mercado de trabalho do violoncelista” !?!?; ou “O vídeo pode ser divertido e engraçado para alguns, mas ao mesmo tempo violento e agressivo para outros. Portanto, não posso concordar com a irreverência e o desrespeito com que o ‘Johann’ foi tratado” !?!?!?!?. Quase que o etnocentrismo de uns e a visão nuviosa de outros… [Tá com saco? Leia o restante]

O malabarista + Golden slumbers = state of art

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Um “bahiano” um tanto bizarro

Lorena era filha de um importante senhor. Um dia, na praia de Ipanema, aguardava seu pai em um bar, quando mirou um “trigueñisimo” pianista baiano… Apaixonou-se perdidamente. Não tinha dinheiro nem futuro, o poeta sonhador baiano, mas, para Lorena, “foi mais que o céu, foi mais que um deus” já que “lhe ensinou o que é o amor”. Só que a felicidade de Lorena durou pouco, pois seu pai tomou conhecimento do “mal logrado” romance e esbravejando, ordenou que esquecesse o dito cujo… [Tá com saco? Leia o restante]

Mensagem de Natal e Ano Novo ou dos Xokleng aos Animês; de Turistas aos 90,7%: a esculhambação do Brasil pelos brasileiros

Nestes últimos dias do ano de 2006, duas mensagens de indignação reincidiram em minhas caixas postais eletrônicas: uma sobre o tal filme Turistas, que “conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias, tomam uma caipirinha com ‘boa noite cinderela’, são assaltados, sequestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da indústria negra dos transplantes”. A mensagem conclama os brasileiros a boicotar a tal película. Uma outra (com algumas variantes) convoca-nos a assinar petições de repúdio aos já famosos 90,7% de aumento salarial auto-concedido aos nossos “carentes” parlamentares… [Tá com saco? Leia o restante]

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“A rua (…) é extremamente estreita; apesar disso, todos os artífices trazem seus bancos e ferramentas para a rua. Nos espaços que deixam livres, ao longo da parede, estão os vendedores de frutas, de salsichas, de chouriços e de peixe frito, de azeite e doces, [pessoas] trançando chapéus ou tapetes, (…), cães, porcos e aves domésticas, sem separação nem distinção; e como a sarjeta corre no meio da rua, tudo ali se atira das diferentes lojas, bem como das janelas”. A cena descrita é perfeitamente condizível com tantas feiras livres, tão comuns em quase todo Brasil… [Tá com saco? Leia o restante]

O Produto

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