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	<title>Ideias privadas, memórias públicas… &#187; Overmundo</title>
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	<description>O blog de Luciano Caroso: etnomusicologia, ciberspaço, tecnocultura e outros bichos</description>
	<lastBuildDate>Fri, 09 Apr 2010 13:40:22 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Bonifácio</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2010/04/08/bonifacio/</link>
		<comments>http://luciano.caroso.com.br/2010/04/08/bonifacio/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 07:12:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje eu recebi a notícia do lançamento do DVD Melhor Assim de Teresa Cristina, que tem a música &#8220;Bonifácio&#8221;, uma composição minha, de Márcio Valverde e Carlos Colavolpe. Tão envolvido que estou com uma tese de doutorado que parece  nunca ficar pronta, já havia me  esquecido do fato e da imensa alegria que senti quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu recebi a notícia do lançamento do DVD <a href="http://www.teresacristinaesemente.com.br/musicas/2010-dvd_melhorassim" target="_blank"><em>Melhor Assim</em></a> de <a href="http://www.teresacristinaesemente.com.br" target="_blank">Teresa Cristina</a>, que tem a música &#8220;Bonifácio&#8221;, uma composição minha, de <a href="http://www.myspace.com/marciovalverde" target="_blank">Márcio Valverde</a> e Carlos Colavolpe. Tão envolvido que estou com uma tese de doutorado que parece  nunca ficar pronta, já havia me  esquecido do fato e da imensa alegria que senti quando soube que essa nova diva do samba no Brasil, de quem sou fã declarado, gravou nossa música.</p>
<p>&#8220;Bonifácio&#8221; também é um dos sambas constantes no CD <a href="http://luciano.caroso.com.br/samba-nunca-e-demais" target="_blank"><em>Samba Nunca é Demais</em></a>, que nós gravamos há um tempo e que ainda estamos batalhando para vê-lo publicado.</p>
<p>Quero deixar aqui registrado um papo que tive com o amigo Carlos Zanchetta sobre a canção:</p>
<blockquote><p>from: Carlos Zanchetta<br />
to: Luciano Caroso<br />
date : Fri, Oct 30, 2009 at 7:23 AM</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Diga Luciano:</p>
<p>Porra, você é co-autor dessa maravilha? Achei muito bom esse samba. Acho que vocês conseguiram, com a simplicidade da melodia e um 7 cordas das antigas marcando o tempo da narrativa, contar um bela estória; trágica, mas comovente pela forma. De quem é a letra? E a música?<br />
Ouvi uma 20 vezes o samba. É de uma simplicidade comovente, a estória e a estrutura melódica. Simples e bonita como uma obra de arte, sem exagero. E é, de fato. Disse a Colavolpe que achei a estória que ele conta em Bonifácio meio autobiográfica. Imagine: o Colavolpe que sai de onde estava, sua Portela, e vai pra Lapa, levado pela paixão e fama, se casar com sua &#8220;nega&#8221; Maristela. Se estou certo em minha suposição, ele deve ter sofrido com a situação. Daí o Bonifácio, mestre da cuíca, ter ficado &#8220;no nada&#8221; (isso é Guimarães Rosa! É como começa o Grande sertão: veredas). Bom em tudo, como ele era, termina &#8220;bom de nada&#8221;. O que remete a estar perdido, sem rumo, pois a sonoridade da expressão &#8220;bom de nada&#8221; sugere &#8220;bonde&#8230; nada&#8221;, isto é, &#8220;nada do bonde&#8221;, que não chegou e talvez nem venha mais. Além disso, joga a ambientação para os anos 50, época dos bondes.<br />
Enfim, pode ser pura viagem, mas foi a chave que usei para interpretar a música, movido, certamente, pela memória do grupo do Colavolpe cantando seus sambas-lamento, lá no Flamengo.<br />
Foi só ouvir Bonifácio e a memória entrou no automático, com flashs que me fizeram interpretar assim esse belo samba. Parabéns aos três, então, pela obra!</p>
<p>Grande abraço!</p>
<p>Carlos Zanchetta</p>
<p>&#8212; &#8212;</p>
<p>from: Luciano Caroso<br />
to: Carlos Zanchetta<br />
date: Fri, Oct 30, 2009 at 10:13 AM</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Caro Zanchetta:</p>
<p>Obrigado pelas palavras elogiosas a &#8220;Bonifácio&#8221;. Se há méritos em compor uma boa canção, neste caso os maiores devem ser reconhecidos na figura de Colavolpe. Os embriões, tanto da melodia quanto da letra, foram, há muito tempo atrás, compostos por ele. Em cima da idéia já instituída é que eu e Márcio trabalhamos. Márcio, primeiro,  interferindo na letra com elementos que definiram esse clima meio Rio de Janeiro da primeira metade do século XX (como você bem observa em seu texto), que antes estava somente insinuado. A nega Maristela e a Lapa, por exemplo, são inserções dele. Eu, em seguida, adaptando a melodia existente, compondo o restante e tentando preservar o espírito com o qual a canção nasceu.<br />
Pelo seu comentário suponho que tenha como referência auditiva a gravação provisória de Teresa Cristina. A definitiva foi feita agora, dia 27 no Rio, na gravação de seu DVD &#8220;Melhor Assim&#8221;. Enviamos uma gravação caseira comigo cantando pra ela, no final de 2007. Depois fizemos duas pequenas modificações e gravamos no disco que fizemos, eu, Márcio e Colavolpe. Agora, quando recebi a gravação dela, a minha referência era o nosso disco, onde Bonifácio ganhou um arranjo diferente, que evidencia o tom trágico que a letra tem. Tanto pra mim quanto pra Colavolpe foi inicialmente um impacto ouvir a gravação de Teresa, acostumados que já estávamos com a versão do disco. Depois, ao revisitar minhas gravações caseiras, achei a que mandamos pra ela e relembrei (já havia esquecido) que quando a canção ficou pronta, tinha esse clima que Teresa Cristina preservou.<br />
Não sei se você tem a gravação do nosso disco. Esta pode ser ouvida, assim como o restante das faixas, em [<a href="http://luciano.caroso.com.br/samba-nunca-e-demais" target="_blank">http://luciano.caroso.com.br/samba-nunca-e-demais</a>].</p>
<p>[]s,</p>
<p>Luciano Caroso</p></blockquote>
<p><center></p>
<p style="text-align: center;">
<span style="font-size: xx-small;">Gravação do CD <em>Samba nunca é Demais</em>, cantada por Márcio Valverde</span></p>
<p style="text-align: center;">
<span style="font-size: xx-small;">Gravação provisória, por Teresa Cristina</span></p>
<p style="text-align: center;">
<span style="font-size: xx-small;">Gravação caseira feita por mim</span></p>
<p></center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os casos como o de Lídio Mateus e o comportamento no Brasil Web 2.0</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2008/11/07/comportamento-brasil-web-20/</link>
		<comments>http://luciano.caroso.com.br/2008/11/07/comportamento-brasil-web-20/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 16:51:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cibersociedad]]></category>
		<category><![CDATA[Etnomusicologia do ciberespaço]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[Youtube]]></category>

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		<description><![CDATA[Lídio Mateus em performance no Youtube Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como Youtube e Orkut declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da Fresno, uma banda ligada ao gênero musical emocore. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a canção &#8220;Uma Música&#8221; e colocar na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" dir="ltr">
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3hVyDYsTMCI&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/3hVyDYsTMCI&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
<span style="font-size: xx-small;">Lídio Mateus em performance no Youtube</span></div>
<div dir="ltr">Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como <a href="http://br.youtube.com/user/lidiomateus" target="_blank">Youtube</a> e <a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=7295225956756002522" target="_blank">Orkut</a> declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da <a href="http://www.fresnorock.com.br" target="_blank">Fresno</a>, uma banda ligada ao gênero musical <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Emo" target="_blank">emocore</a>. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a <a href="http://www.goear.com/listen.php?v=de7fee8" target="_blank">canção</a> &#8220;<a href="http://cifraclub.terra.com.br/cifras/fresno/uma-musica-swmwmm.html" target="_blank">Uma Música</a>&#8221; e colocar na Internet. Só que Igor, seu sobrinho de uns 5, 6 anos, resolveu atrapalhar: começou a gritar &#8220;aê ô fresco, boiola&#8221; e Lídio teve de interromper a gravação do vídeo logo nos primeiros versos. Assim mesmo decidiu colocar esta gravação no Youtube. Pela data lá no site, o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=Fj-Ybx9xz4w" target="_blank">vídeo</a> foi postado em 12 de julho de 2008. No momento em que escrevo este texto, em 07 de novembro de 2008, já conta com 113.084 exibições. Não se sabe muito bem como o vídeo foi parar em &#8220;sites de comédia&#8221; como <a href="http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=690764" target="_blank">Kibe Loco</a> e, como referem os <a href="http://br.youtube.com/comment_servlet?all_comments&amp;;v=3hVyDYsTMCI&amp;;fromurl=/watch%3Fv%3D3hVyDYsTMCI" target="_blank">comentários</a> de uma <a href="http://br.youtube.com/watch?v=3hVyDYsTMCI" target="_blank">outra versão do mesmo vídeo</a> no Youtube, até no JB (Jornal do Brasil?). Esta outra versão, postada há pouco mais de uma semana (29/01/2008), já foi assistida 262.945 vezes até este instante.<br />
Parece claro que se iniciou o que os entendidos chamam de &#8220;processo viral&#8221;, alimentado também por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Microblogging" target="_blank">microbloggins</a> como <a href="http://twitter.com" target="_blank">Twiter</a> e <a href="http://www.plurk.com" target="_blank">Plurk</a>, além de <a href="http://www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=18689053" target="_blank">comunidades no Orkut</a> e tantos outras plagas desse ciberespaço louco. Lídio bloqueou a possibilidade de se fazer comentários no vídeo original. Porém, a busca pelas palavras-chave &#8220;<a href="http://br.youtube.com/results?search_query=fresco+boiola&amp;;search_sort=video_view_count" target="_blank">fresco boiola</a>&#8221; no Youtube, no momento, retorna 32 vídeos. A maioria absoluta é composta de cópias do vídeo original, ou de outros vídeos que parecem ter sido postados originalmente no Perfil de Lídio ou de respostas ao vídeo dele. Perfis com seu <a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=12368940126757857184" target="_blank">nome</a> e <a href="http://www.fotolog.com/lidiomateus/" target="_blank">fotos</a> foram criados no Orkut e outros.  A <a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;q=fresco+boiola&amp;btnG=Pesquisa+Google&amp;meta=" target="_blank">mesma busca</a> no Google retornou, agora mesmo, cerca de 7800 resultados.<br />
As pessoas têm se dedicado principalmente a zombar do rapaz. O bordão &#8220;aê ô fresco, boiola&#8221; é extremamente repetido por aí. <a href="http://oblog.com.br/asttro/novo-sucesso-do-youtube" target="_blank">Blogs</a> &#8220;contam&#8221; sua história aos <a href="http://fazsentido.blogspot.com/search?q=l%C3%ADdio" target="_blank">borbotões</a>. Adolescentes gastam seu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Migux%C3%AAs" target="_blank">miguxês</a> (incluindo &#8220;<a href="http://www.orkut.com/Main#Profile.aspx?uid=6629166925091216302" target="_blank">amigos</a>&#8221; a quem Lídio agradece o apoio em seu &#8220;<a href="http://lidiomateus.blogspot.com/2008/11/explicao.html" target="_blank">blog oficial</a>&#8220;) numa infinidade de comentários onde a tônica é o preconceito e a zombaria. &#8220;Maldita inclusão digital&#8221;, &#8220;suburbano&#8221;, &#8220;viadinho&#8221;, &#8220;florzinha&#8221;, &#8220;morte aos emos&#8221; e tantas outras &#8220;amabilidades&#8221; que não valem ser pronunciadas por aqui, são expressões que pululam por todo lugar, como nos comentários de <a href="http://br.youtube.com/comment_servlet?all_comments&amp;;v=3hVyDYsTMCI&amp;;fromurl=/watch%3Fv%3D3hVyDYsTMCI" target="_blank">uma das cópias do vídeo</a>.<br />
O que é isso?! Quando é que o ser humano vai ser tornar algo do qual possa, pelo menos, não se envergonhar? Eu poderia aqui lançar mão daquele discurso que o brasileiro vive essa realidade &#8212; onde o terreno é fertilíssimo para a exploração midiática de casos como o de Eloá e o de Isabella Nardoni e completamente estéril para a discussão de questões sociais efetivamente relevantes &#8212; por causa do mais sério problema do nosso país: <strong>educação</strong>. E estaria certíssimo. Mas o buraco ainda é mais embaixo. Quem acredita na espiritualidade e reencarnação, como eu, sabe que esta condição é intrínseca à toda raça humana. Transcende aspectos como etnia, territorialidade e situação sócio-econômica.<br />
Voltando ao Brasil, já que Obama ganhou mas o americano continua achando que nossa capital se chama Buenos Aires: Lídio é mais uma dessas pessoas que se tornaram &#8220;celebridades&#8221; através da tão badalada <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0" target="_blank">Web 2.0</a>, principalmente por via do Youtube. <a href="http://br.youtube.com/watch?v=87xcp4FeQSI" target="_blank">Jeremias</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=I4deplqijVA&amp;;feature=related" target="_blank">Bill Goiaba</a> e <a href="http://br.youtube.com/watch?v=qCyZV0GZfHU" target="_blank">Sônia</a> são alguns dos seus muitos antecessores. Por trás desses casos estão problemas sociais brasileiros seríssimos como alcoolismo e pobreza (que traz no seu bojo, nestes exemplos citados, mazelas como subnutrição, comprometimento da cognição, falta de perspectiva de vida, etc). Essas pessoas até vêm instigando a criatividade de outras a produzirem peças áudio-visuais efetivamente interessantes do ponto de vista composicional e musical. Os quatro em questão (<a href="http://br.youtube.com/watch?v=T_-blAmfh7U" target="_blank">Jeremias</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=qceU1B2wIKQ" target="_blank">Bill Goiaba</a>, <a href="http://br.youtube.com/watch?v=olAzqcdcsJc" target="_blank">Sônia</a> e <a href="http://br.youtube.com/watch?v=jCMUAfz0CZw" target="_blank">Lídio</a>) têm pelo menos uma versão dessas peças, às quais, por falta de um termo melhor, eu dei o nome de &#8220;vídeo-funks&#8221;. Esses vídeo-funks têm chamado tanto a minha atenção que me fizeram mudar completamente o objeto teórico da minha tese de doutorado em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ethnomusicology" target="_blank">etnomusicologia</a>. Há neles aspectos muito importantes e atuais dos processos criativos e de transmissão de música nesse contexto das comunidades virtuais, como reciclagem, bricolagem (<a href="http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP15_bastos.pdf" target="_blank">samplertropofagia</a>), questões de propriedade intelectual, entre muitos outros. Mas o brasileiro, ao que parece, tem dedicado seu tempo muito mais para fazer piada e zombar das pessoas envolvidas e muito menos para discutir as importantes questões sociais que esses vídeos denunciam. Infelizmente.</div>
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		<title>O Samba-lenço de Mauá, São Paulo</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2007/11/19/o-samba-lenco-de-maua-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 05:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre as apresentações que aconteceram durante a inauguração da Casa do Samba em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 14 de setembro de 2007, uma me chamou a atenção, a princípio pelo carisma e articulação da mulher que é uma espécie de cantora/animadora. Depois veio a curiosidade em relação ao nome, Samba-lenço, que mesmo tendo uma referência iconográfica óbvia na utilização de um lenço como adereço coreográfico, me parecia ter implicações mais profundas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre as apresentações que aconteceram durante a inauguração da Casa do Samba em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 14 de setembro de 2007, uma me chamou a atenção, a princípio pelo carisma e articulação da mulher que é uma espécie de cantora/animadora. Depois veio a curiosidade em relação ao nome, <strong>Samba-lenço</strong>, que mesmo tendo uma referência iconográfica óbvia na utilização de um lenço como adereço coreográfico, me parecia ter implicações mais profundas. É interessante a descrição de Q. M. R. Ver Huell, holandes que esteve em Salvador entre 1807 e 1810, em seu livro <em>Minha Primeira Viagem Marítima: 1807-1810,</em> 2007, EDUFBA:</p>
<blockquote><p>&#8220;Mal havia o <em>creoulo</em> começado a tocar e então, como por um misterioso passe de mágica que agitou os celebrantes, levantaram-se todos gritando &#8211; &#8220;Lundu! Lundu!&#8221; &#8211; e formando rapidamente um círculo. Um dos homens dirigiu-se ao centro da roda, apanhou um lenço e o encostou, segurando firmemente ambas as pontas com as mãos. [...] Acabei criando coragem, pois, como diz o ditado: &#8216;à maneira da terra, à honra da terra&#8217;. Removi o meu lenço do pescoço e na seqüencia, por ser imprescindível à dança, coloquei-o novamente solto à sua volta&#8221; (p. 228-9).</p></blockquote>
<p>Pode ser só coincidência mas a clara utilização do lenço como adereço &#8220;imprescindível à dança&#8221;, num lundu em Salvador no início do século XIX não deixa de ser um elemento inusitado de conexão com o Samba-lenço de Mauá.</p>
<p>Voltemos à cantora do grupo: por mais que tivesse procurado na Internet, não consegui obter o nome dela ou qualquer outra informação a seu respeito. Como o filme abaixo foi feito despretensiosamente, não me ocorreu procurá-la para colher tais informações no dia do evento, ainda mais porque o Samba-lenço foi um dos primeiros de uma série de grupos dos quais fiz pequenos vídeos. Este eu inclusive legendei, dada a precariedade da captação do som e da dicção, nem sempre clara, da nossa interlocutora:</p>
<p align="center">
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BIr7sruU68s&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/BIr7sruU68s&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Como disse, é um discurso rico, denso e articulado. Nos dá sinais de uma série questões que, acredito, são importantes para o estudo etnomusicológico deste tipo de manifestação:</p>
<ul>
<li>A consciência negra e o entendimento por parte dos negros de sua relação visceral com o samba e outras manifestações culturais correlatas;</li>
<li>A complexidade do termo samba, que neste caso também é visto como agregador de outras manifestações como maculelê, maracatú, jongo, capoeira, etc;</li>
<li>A importante faceta do discurso de raíz e dos processos de transmissão dessa tradição: &#8220;a gente veio mostrar o samba [...] que a minha tataravó ensinou, que a minha vó ensinou&#8230;&#8221;;</li>
<li>A relação, a meu ver indissociável, da música e da dança em muitos dos diversos tipos de samba;</li>
<li>A consciência da importância histórica e política do negro na formação destas manifestações, que, segundo ela, na proclamação da <a class="external" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_%C3%81urea" target="_blank">Lei Áurea</a> também dançou;</li>
<li>Uma espécie de ascendência social pela qual estes grupos folclóricos têm passado, em função dos últimos acontecimentos como a proclamação do Samba do Recôncavo Baiano pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade e das recentes políticas governamentais de apoio. Vejam que ela deixa escapar que &#8220;se sentou no avião com medo&#8221;, o que pode denotar uma possível pouca familiaridade dela com viagens aéreas;</li>
<li>A necessidade de afirmação na sua identidade negra, já que é de São Paulo (injustamente conhecido como &#8220;túmulo do samba&#8221;): &#8220;Nós somos de São Paulo mas nós também somos negros&#8221;. Certamente fruto do caráter hegemônico que a Bahia tem nesse aspecto já que recebeu a maioria absoluta dos negros vindos para o Brasil entre 1500 e 1867;</li>
<li>A adequação à realidade midiática e à demanda profissinal. Vejam que ela fala de um jeito que faz lembrar cantores de axé, tentando maior interação com o público e não esquece de agradecer ao IPHAN. Pra mim é aspecto interessante se comparo este comportamento aos dos grupos de samba do recôncavo já que ainda não encontrei até o momento esta postura nos daqui (pelo menos tão articulada e bem sucedida).</li>
</ul>
<p>Enfim, essa moça me fez pensar um bocado em 2&#8242; 59&#8243; de vídeo.</p>
<p>Agora vejam o próximo vídeo que fiz, na seqüência da apresentação do Samba-lenço. É uma saudação a São Benedito que, segundo <a class="external" rel="nofollow" href="http://www.escolasdesamba.com.br/exibe_noticia.asp?cod_conteudo=85" target="_blank">consta</a>, é santo de devoção dos sambadores do grupo:</p>
<blockquote><p>Aê, aê, aê,<br />
Aê quem vai falar?<br />
São Benedito é o santo do preto<br />
Fala na boca, responde no peito</p></blockquote>
<p align="center">
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sqnMZewYveY&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/sqnMZewYveY&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os novos tempos já se ouvem&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Nov 2007 23:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algum tempo atrás veio uma notícia que chamou a atenção do mundo do entretenimento e da tecnologia: a banda britânica Radiohead disponibilizou para download seu novo álbum,  In Rainbows, em seu site, com a seguinte regra: você baixa e paga quanto e se quiser. Um estudo divulgou  que "durante os primeiros 29 dias de outubro, 1,2 milhão de pessoas de todo o mundo visitaram o site para download do In Rainbows. Destas, 62% decidiram não pagar nada pelo álbum." Mesmo assim...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img src="http://luciano.caroso.com.br/wp-content/uploads/2007/11/1886457138_8ef31879ef.jpg" alt="radiohead" height="350" width="438" /><br />
<font size="1">Radiohead numa performance em Blackpool, Inglaterra &#8211; 13 de maio de 2006<br />
Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/chrisdearnley/" target="_blank">Chris Dearnley</a></font></p>
<p>Há algum tempo atrás veio uma notícia que chamou a atenção do mundo do entretenimento e da tecnologia: a banda britânica <a href="http://www.inrainbows.com/" target="_blank">Radiohead</a> disponibilizou para download seu novo álbum, <span style="font-style:italic;"> In Rainbows,</span> em <a href="http://www.inrainbows.com/" target="_blank">seu site</a>, com a seguinte regra: você baixa e paga quanto e se quiser. Um estudo <a href="http://www.geek.com.br/modules/noticias/ver.php?id=14521&amp;sec=4" target="_blank">divulgou </a> que &#8220;durante os primeiros 29 dias de outubro, 1,2 milhão de pessoas de todo o mundo visitaram o site para download do <span style="font-style:italic;">In Rainbows</span>. Destas, 62% decidiram não pagar nada pelo álbum.&#8221; Mesmo assim sobram 38% de internautas que pagaram pelo álbum uma média de US$ 6. Ora, 38% de 1,2 milhão dá um total de 456 mil pagantes. Este número multiplicado pelos U$ 6 chega à significativa quantia de US$ 2.736.000. Para que a Radiohead ganhasse isso nos moldes convencionais, ou seja, através da venda de CDs produzidos, distribuídos e divulgados por uma gravadora, e contando que cada CD custasse U$ 15, seria necessária a venda de 1.216.000 unidades. Nos tempos atuais, considero bem difícil que esse número fosse atingido, ainda mais em 29 dias. Como diz a letra de uma antiga e desconhecida canção: &#8220;os novos tempos já se ouvem&#8230;&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>De Pachelbel a Avril Lavigne</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2007 13:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa discussão acerca dos perfis acadêmico e técnico dos profissionais de música, que de tão "engajada" e "engessada", acabou se tornando enfadonha, ouvi algumas referências sobre um certo vídeo: "este é um vídeo sobre o mercado de trabalho do violoncelista" !?!?; ou "O vídeo pode ser divertido e engraçado para alguns, mas ao mesmo tempo violento e agressivo para outros. Portanto, não posso concordar com a irreverência e o desrespeito com que o 'Johann' foi tratado" !?!?!?!?. Quase que o etnocentrismo de uns e a visão nuviosa de outros...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_bSqlaiFDx4&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/_bSqlaiFDx4&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Numa discussão acerca dos perfis acadêmico e técnico dos profissionais de música, que de tão &#8220;engajada&#8221; e &#8220;engessada&#8221;, acabou se tornando enfadonha, ouvi algumas referências sobre o vídeo acima: &#8220;<em>este é um vídeo sobre o mercado de trabalho do violoncelista</em>&#8221; !?!?; ou &#8220;<em>O vídeo pode ser divertido e engraçado para alguns, mas ao mesmo tempo violento e agressivo para outros. Portanto, não posso concordar com a irreverência e o desrespeito com que o &#8216;Johann&#8217; foi tratado</em>&#8221; !?!?!?!?. Quase que o etnocentrismo de uns e a visão nuviosa de outros &#8211; que não conseguem atinar que a tecnologia muda visceralmente o comportamento, a cultura e os conceitos da criação e de muitos outros fazeres musicais &#8211; me impediu de perceber a forma genial com que este desconhecido pra mim, o comediante e músico <a title="Site oficial de Rob Paravonian" href="http://www.robprocks.com/" target="_blank">Rob Paravonian</a>, contou uma história de transmissão de música, que deve, inclusive, não ter começado com <a title="Johann Pachelbel na Wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Johann_Pachelbel" target="_blank">Johann Pachelbel (1653 &#8211; 1706)</a>, pelo caráter decididamente harmônico da tal &#8220;malfadada&#8221; parte de violoncelo. Achei-o (o vídeo) tão interessante e significativo que o recomendaria expressamente a qualquer, qualquer mesmo, estudante de música. O mais engraçado de tudo é que o (<a title="Falha nossa, veja a mea-culpa." href="http://luciano.caroso.com.br/2007/04/13/de-pachelbel-a-u2/#comment-62"><span style="text-decoration: line-through;">suposto</span></a>) responsável pelas utilíssimas legendas em português é o blog <a title="O blog Fatos Inúlteis" href="http://fatosinuteis.blogspot.com/" target="_blank">Fatos Inúteis</a>. Vá entender&#8230; <img src='http://luciano.caroso.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> .</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O malabarista + Golden slumbers = state of art</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2007 10:56:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem situações que não precisam de muita explicação. Ver, ouvir e sentir é o suficiente. Foi assim quando vi este vídeo. Fiquei extasiado. Claro que Golden slumbers e sua fusão com Carry That Weight e The End, do antológico álbum dos Beatles, Abbey Road, ajudaram fazer fluír minha emoção. Mas o malabarista Chris Bliss...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"> <code><center><object type="application/x-shockwave-flash" data="http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=4776181634656145640&#038;hl=en" width="425" height="350" wmode="transparent"><param name="movie" value="http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=4776181634656145640&#038;hl=en" /></object></center></code></p>
<p>Tem situações que não precisam de muita explicação. Ver, ouvir e sentir é o suficiente. Foi assim quando vi este vídeo. Fiquei extasiado. Claro que <a href="http://www.icce.rug.nl/~soundscapes/DATABASES/AWP/gs.shtml" target="_blank" title="Análise de Golden slumbers"><em>Golden slumbers</em></a> e sua fusão com <em>Carry That Weight</em> e <em>The End</em>, do antológico álbum dos Beatles,<em> </em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Abbey_Road_(album)" target="_blank" title="Abbey Road na Wikipedia"><em>Abbey Road</em></a>, ajudaram fazer fluír minha emoção. Mas o malabarista Chris Bliss, com suas plástica e destreza de movimentos, indefectível leveza e impressionante sincronia com a música, produziu um raríssimo momento: <em>state of art</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Um &#8220;bahiano&#8221; um tanto bizarro</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2007/02/17/um-bahiano-um-tanto-bizarro/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Feb 2007 22:25:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Lorena era filha de um importante senhor. Um dia, na praia de Ipanema, aguardava seu pai em um bar, quando mirou um "trigueñisimo" pianista baiano... Apaixonou-se perdidamente. Não tinha dinheiro nem futuro, o poeta sonhador baiano, mas, para Lorena, "foi mais que o céu, foi mais que um deus" já que "lhe ensinou o que é o amor". Só que a felicidade de Lorena durou pouco, pois seu pai tomou conhecimento do "mal logrado" romance e esbravejando,  ordenou que esquecesse o dito cujo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lorena era filha de um importante senhor. Um dia, na praia de Ipanema, aguardava seu pai em um bar, quando mirou um<em> </em>&#8220;<em>trigueñisimo</em>&#8221; pianista baiano&#8230; Apaixonou-se perdidamente. Não tinha dinheiro nem futuro, o poeta sonhador baiano, mas, para Lorena, &#8220;foi mais que o céu, foi mais que um deus&#8221; já que &#8220;lhe ensinou o que é o amor&#8221;. Só que a felicidade de Lorena durou pouco, pois seu pai tomou conhecimento do &#8220;<em>mal logrado</em>&#8221; romance e esbravejando,  ordenou que esquecesse o dito cujo: &#8220;esse miserável não é de tua categoria e não combina com nossa rica sociedade&#8221;, proibindo-a definitivamente de voltar a ver o <em>trigueñisimo</em>. Lorena então, desesperada, subiu ao Corcovado e, lá de cima, &#8220;abriu suas asas e voou&#8221;&#8230;</p>
<p>Deve ter se espatifado toda a bichinha, coitada <img src='http://luciano.caroso.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> . Também, foi logo se apaixonar por um negão-pianista-baiano (negão é minha tradução livre para <em>trigueñisimo</em>), lá pelas bandas da praia de Ipanema. Tinha mais, essa pendenga, era que terminar desse jeito mesmo. Lorena, de tão tenra idade, não deve ter ouvido falar de <a title="Ícaro na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dcaro" target="_blank">Ícaro</a> e de suas asas coladas com uma cera de quinta categoria que, obviamente, derreteu. E o probrezinho despencou direto pro mar Egeu. Então ela, ao se atirar voando do Corcovado, pode ter querido planar pela Baía (ou seria Bahia?) da Guanabara, e quem sabe, pegar o vácuo de um urubu até o Porto da Barra (Salvador, Baía?), onde, bem pertinho, fica um outro Cristo, só que bem mais baixinho. Lá poderia ver o pôr-do-sol com seu negão pianista e mandar às favas os preconceitos paternos. Mas conta a lenda que ninguém nunca mais viu Lorena&#8230;</p>
<p>Eu conheci a estória  de Lorena pela voz de uma linda &#8220;<em>cantante</em>&#8221; argentina: <a title="Página oficial de Soledad Pastorutti" href="http://www.lasole.com/" target="_blank">Soledad Pastorutti</a>, através do incrível <a title="You Tube" href="http://www.youtube.com" target="_blank">Youtube</a>. Veja o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y" target="_blank">videoclip</a> abaixo da música &#8220;El Bahiano&#8221;:</p>
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0p82Pah2N8Y&#038;fs=1" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed src="http://www.youtube.com/v/0p82Pah2N8Y&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object><br />
<a title="Soledad - El Bahiano" href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y" target="_blank">Assita no Youtube</a></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Concordo com aqueles que dizem que o mesmo brasileiro que adora rotular o americano de etnocêntrico por este achar que a capital do Brasil é Buenos Aires, jura de pé junto que a capital da terra dos aborígenes e dos cangurus é Sydney (sinto desapontar alguns, mas a capital da Austrália se chama <a title="Canberra Tourism" href="http://www.canberratourism.com.au/" target="_blank">Canberra</a>) e ainda aposta seu último níquel que a capital dos Estados Unidos é New York. Então, longe de uma postura nacionalista do tipo <a title="Triste Fim de Policarpo Queresma na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Triste_Fim_de_Policarpo_Quaresma" target="_blank">policarpiana</a>, o que me move ao escrever essas linhas é mais uma observação bem humorada do bizarro (que na acepção mais usada no Brasil significa estranho, esquisito),  ou de como algo que parece ter bom suporte técnico e financeiro, pode descambar para o superficial e o equivocado. Antes de tudo não me consta que &#8220;Sole&#8221; seja (ou fosse em 1999, ano em que foi feito o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y">videoclip</a>) uma cantora de renome mundial. Mas, basta dar uma olhada no site da <a title="Sony BMG" href="http://www.sonybmg.com/" target="_blank">Sony BMG</a> para perceber que a empresa não a teria em seu <em>cast</em> se ela, como artista, não tivesse, pelo menos, o potencial de transpor as fronteiras da Argentina. Portanto, não se trata de uma produção amadora. É certo também que as &#8220;bizarrices&#8221; já vinham acontecendo: Michel Jackson e Spike Lee são a prova disso, com o <a title="Michael Jackson e Olodum no Pelourinho" href="http://www.youtube.com/watch?v=gCqQ2JcQWGs" target="_blank">vídeo</a> que produziram entre o Rio de Janeiro e Salvador, em 1996. Agora, mesmo que não se fizesse como um Paul Simon que veio, em 1990, a Salvador gravar com o <a title="S?tio oficial do Olodum" href="http://olodum.uol.com.br/" target="_blank">Olodum</a> a faixa &#8220;<a title="Paul Simon e Olodum no Central Park" href="http://www.youtube.com/watch?v=_oS34kStpmc" target="_blank">Obvious Child</a>&#8221; do álbum <em>Rhythm of the Saints</em>, e que, depois de um ano, com um milhão de cópias vendidas e um Grammy nas mãos, levou os percussionistas para um <a title="Paul Simon e Olodum no Central Park" href="http://www.youtube.com/watch?v=_oS34kStpmc" target="_blank">grande show</a> no Central Park, a coisa poderia ter sido, digamos,  melhor contextualizada.</p>
<p>Vamos lá: especulam alguns que o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y" target="_blank">vídeo</a> foi gravado no Uruguai ou em Miami. Se foi na Conchichina, tudo bem. Na Bahia é que não foi. Muito menos no Rio de Janeiro. Se não, Soledad derreteria dentro do espesso casaco  de lã vermelha, com o qual aparece na maior parte das cenas <img src='http://luciano.caroso.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> . E os trajes das &#8220;bahianas&#8221;? Poderiam muito bem ter saído dos desenhos de <a title="Johann Moritz Rugendas na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rugendas" target="_blank">Rugendas</a> ou <a title="Jean-Baptiste Debret na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Debret" target="_blank">Debret</a> se já não tivessem precedentes nas estereotipadas novelas de época e mini-séries globais, que também devem ter inspirado as cenas com os círculos de velas. Os percussionistas estão uniformizados e aquietados demais, com instrumentos variados de menos, além de inadequadamente coloridos. E por falar nisso, a referência sonora a uma possível banda de percussão baiana, que acontece com mais ênfase no<em> intermezzo</em>, apesar de ser bem resolvida musicalmente, como é inclusive toda a música, soa irremediavelmente frustrante. Imaginem um violinista, por melhor que seja, tentando se fazer soar como uma orquestra de cordas inteira? É mais ou menos isso que acontece.  O <em>trigueñisimo</em> baiano que toca piano (o ator, branco, diga-se de passagem, pode até ter nascido na Bahia, mas não tem quem me tire da cachola que o sujeito é argentiníssimo) num bar da praia de Ipanema, vestido como os escravos das novelas da Rede Globo, só que usando um colete com ares andinos, é um tipo quase surreal, vocês hão de concordar. Ver o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y" target="_blank">videoclip</a> ambientado numa pseudo Bahia e imaginar o casal se amando em Ipanema e Lorena se atirando do Corcovado é, no mínimo, engraçado.</p>
<p>Enfim, tudo me parece e me soa  um tanto bizarro. Não que isso tenha alguma consequência para o futuro das relações entre Brasil e Argentina, mas que eu dei boas risadas com o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0p82Pah2N8Y" target="_blank">vídeo</a>, não há como negar. Por último, me vem à mente um <a href="http://www.overmundo.com.br/forum/a-xenofobia-e-o-overmundo" target="_blank">trecho</a> citado por Hemarno Vianna, num dos fóruns do <a title="Overmundo" href="http://www.overmundo.com.br" target="_blank">Overmundo</a>, de <a title="Jorge Luis Borges na Wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jorge_Luis_Borges" target="_blank">Jorge Luis Borges</a>, onde este diz que a falta de camelos no Alcorão é exatamente a prova de que este livro é árabe. Maomé, o &#8220;autor&#8221;, por ser árabe, não sentiu a necessidade de incluir camelos, já que eram comuns ao seu contexto. Porém, &#8220;un falsario, un turista, un nacionalista árabe, lo primero que hubiera hecho es prodigar camellos, caravanas de camellos en cada página&#8221;.</p>
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		<title>Mensagem de Natal e Ano Novo ou dos Xokleng aos Animês; de Turistas aos 90,7%: a esculhambação do Brasil pelos brasileiros</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2006/12/22/mensagem-de-natal-e-ano-novo-ou-dos-xokleng-e-aos-animes-de-turistas-aos-907-a-esculhambacao-do-brasil-pelos-brasileiros/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Dec 2006 12:47:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem de Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nestes últimos dias do ano de 2006, duas mensagens de indignação reincidiram em minhas caixas postais eletrônicas: uma sobre o tal filme Turistas, que "conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias, tomam uma caipirinha com 'boa noite cinderela', são assaltados, sequestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da indústria negra dos transplantes". A mensagem conclama os brasileiros a boicotar a tal película. Uma outra (com algumas variantes) convoca-nos a assinar petições de repúdio aos já famosos 90,7% de aumento salarial auto-concedido aos nossos "carentes" parlamentares...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nestes últimos dias do ano de 2006, duas mensagens de indignação reincidiram em minhas caixas postais eletrônicas: uma sobre o tal filme <a href="http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2006/not20061130p2984.htm" target="_blank"><em>Turistas</em></a>, que &#8220;conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias, tomam uma caipirinha com &#8216;boa noite cinderela&#8217;, são assaltados, sequestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da indústria negra dos transplantes&#8221;. A <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/filme-turistas" target="_blank">mensagem</a> conclama os brasileiros a boicotar a tal película. Uma outra (com algumas variantes) convoca-nos a assinar petições de repúdio aos já famosos 90,7% de aumento salarial auto-concedido aos nossos &#8220;carentes&#8221; parlamentares.<br />
São duas questões que mexem com a identidade nacional e que se agrupam. Mas não devem ser o nosso dever de casa. Explico: um &#8220;overmano&#8221; (assim é chamado o frequentador do site <a title="Overmundo" href="http://www.overmundo.com.br" target="_blank"><em>Overmundo</em></a>) <a title="Veja comentário de Luca Maribondo" href="http://www.overmundo.com.br/overblog/filme-turistas" target="_blank">falou</a>, sobre o movimento de boicote ao filme Turistas: &#8220;Não precisa ninguém esculhambar a gente lá fora. Nós nos esculhambamos por aqui mesmo&#8221;. Isto é que parece ser fundamental: uma reflexão acerca da verdade proferida por este lúcido overmano. Afinal, quem coloca deputados no congresso? Quem fornece rico conteúdo para que os jornais internacionais alardeiem os assaltos, os sequestros e o caos do deficiente visual espaço aéreo brasileiro?<br />
Não estou querendo dizer com isso que tais mensagens sejam reclames ilícitos. Muito pelo contrário. Acho porém que são tentáculos de um problema maior: a esculhambação do Brasil pelo próprio brasileiro. No dia em que verdadeiramente tomarmos consciência e passarmos a exercer o papel que cada um de nós tem na desconstrução desta cultura auto-destrutiva, não haverá espaço para locupletação de deputado nem pra filme gringo de quinta categoria, com visão distorcida sobre o nosso país.<br />
Nós somos um povo extraordinário. Dos <a title="Os Xokleng" href="http://www.socioambiental.org/pib/epi/xokleng/xokleng.shtm" target="_blank">Xokleng</a> aos <a title="Cultura Animês" href="http://www.overmundo.com.br/overblog/o-novo-carnaval-dos-animes" target="_blank">Animês</a> existe um imenso rizoma que liga as incontáveis caras e culturas de uma gente predestinada ao bem e ao sucesso. Eu acredito piamente nisto e tenho muito orgulho de ser brasileiro!</p>
<p>QUE NÃO SÓ NESTES NATAL E ANO NOVO O ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE E DE AMOR AO PRÓXIMO NOS CONTAGIE.<br />
QUE SEJAMOS, A CADA MOMENTO, BRASILEIROS DIGNOS DE NÃO SEREM DEPRECIADOS NEM ENGANADOS POR NINGUÉM!</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A atualidade de Graham</title>
		<link>http://luciano.caroso.com.br/2006/03/05/a-atualidade-de-graham/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Mar 2006 20:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[“A rua (...) é extremamente estreita; apesar disso, todos os artífices trazem seus bancos e ferramentas para a rua. Nos espaços que deixam livres, ao longo da parede, estão os vendedores de frutas, de salsichas, de chouriços e de peixe frito, de azeite e doces, [pessoas] trançando chapéus ou tapetes, (...), cães, porcos e aves domésticas, sem separação nem distinção; e como a sarjeta corre no meio da rua, tudo ali se atira das diferentes lojas, bem como das janelas”. A cena descrita é perfeitamente condizível com tantas feiras livres, tão comuns em quase todo Brasil...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“A rua (&#8230;) é extremamente estreita; apesar disso, todos os artífices trazem seus bancos e ferramentas para a rua. Nos espaços que deixam livres, ao longo da parede, estão os vendedores de frutas, de salsichas, de chouriços e de peixe frito, de azeite e doces, [pessoas] trançando chapéus ou tapetes, (&#8230;), cães, porcos e aves domésticas, sem separação nem distinção; e como a sarjeta corre no meio da rua, tudo ali se atira das diferentes lojas, bem como das janelas”. A cena descrita é perfeitamente condizível com tantas feiras livres, tão comuns em quase todo Brasil. Pode estar ambientada em uma das favelas ou outros lugares de condições habitacionais subumanas, como os muitos que infelizmente ainda existem em nosso país. Faz lembrar as ruas que fazem ligação ou estão nas circunvizinhanças das avenidas do Centro ou da Barra, que são circuitos para o carnaval de Salvador, nos dias de folia momesca. Denunciam, em suas entrelinhas, problemas sociais como o trabalho informal e as condições precárias de moradia e higiene, em que vive uma substancial quantidade de brasileiros. Estes problemas, por sua vez, apontam para outros como pobreza e falta de perspectiva profissional. A atualidade destas questões sugere que estas linhas foram escritas há pouco tempo. Engana-se, porém, quem pensa assim. Este exerto foi extraído do livro <em>Visitantes Estrangeiros na Bahia Oitocentista</em>, de Moema Parente Augel, onde ela transcreve trecho das impressões de Maria Graham, viajante inglesa, ao passar pela primeira vez pelas ruas da nossa Cidade Baixa, em 1821. O que, naquela altura, poderia transformar a cena vista pelo olhar estrangeiro de Graham? O mesmo que hoje tiraria das ruas os meninos “guardadores” de carro. E que também faria sumir os catadores de lixo. Algo que impediria o florecimento dos Delúbios e dos Valérios. Que fecharia, quase que definitivamente, os caminhos da corrupção. Que, provavelmente, faria surgir empregos e oportunidades de trabalho nunca antes vistos. Em uma palavra: EDUCAÇÃO. Falo de uma educação que esteja plenamente disponível para todos os brasileiros. Que potencialize, amplie horizontes e incremente a cidadania. Esta educação não reside somente na utopia de gente inocente como eu. Já está ao alcance do poderio econômico do nosso país. Poderia ser implementada se houvesse vontade política para tal. Até quando o que Graham escreveu será atual? Até quando meu Deus?</p>
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		<title>O Produto</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2006 13:42:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciano Caroso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Overmundo]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto abaixo foi escrito por mim em 1997. Na época foi uma espécie de desabafo de revolta pela forma com que o músico baiano era visto pelo empresário. Sei que os Al Capones da música baiana ainda estão por aí a produzir coisas como os "Reinos do Arrocha" da vida e a alimentar certos radialistas obesos com a famosa carne de sertão. Só que hoje penso um tanto diferente. As coisas estão um tanto diferentes. E o melhor é que eles, os referidos Al Capones, já não são mais os mesmos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto abaixo foi escrito por mim em 1997. Na época foi uma espécie de desabafo de revolta pela forma com que o músico baiano era visto pelo empresário. Sei que os Al Capones da música baiana ainda estão por aí a produzir coisas como os &#8220;Reinos do Arrocha&#8221; da vida e a alimentar certos radialistas obesos com a famosa carne de sertão. Só que hoje penso um tanto diferente. As coisas estão um tanto diferentes. E o melhor é que eles, os referidos Al Capones, já não são mais os mesmos. Já não têm mais o mesmo dinheiro e o mesmo poder. O citado no texto, por exemplo, que alavancou artistas que têm hoje renome internacional, e levou um merecido pé na bunda de todos eles, atualmente está numa situação muito diferente&#8230; Acredito sinceramente que o futuro será melhor.</p>
<hr align="center" size="1" width="50%" />Este e-mail foi recebido por um dos mais conceituados empresários musicais da cidade. Resolvi trazê-lo ao conhecimento de vocês, colegas da Pracatum, porque ele ilustra muito bem o meu pensamento sobre a atual situação de boa parte dos músicos que trabalham na dita música baiana e de todo o processo não musical que a envolve. Todos os nomes citados foram trocados por fictícios por razões óbvias.</p>
<blockquote><p><font color="#993366">Date: Wed, 14 May 1997 16:48:17 +0100<br />
From: Azulão Produções Artísticas<br />
Reply-To: azulao@falcatrua.com.br<br />
To: eufigenio@falcatrua.com.br<br />
CC: azulao@falcatrua.com.br<br />
Subject: “O Produto”</font></p>
<p><font color="#993366">Tomamos a liberdade, de passar este E-MAIL pra você, porque queremos lhe oferecer um otimo produto que foi considerada como a grande revelação da miconquista/97, e que está sem oportunidade de mostrar seu trabalho por falta de um bom produtor, seu nome? CENIRA CIRCENSE. bem, você há de perguntar, porque eu? porque conhece como ninguem um otimo produto, e que vai ser bem aceito no mercado depois de passar por seu crivo. Também porque temos procurado com muita cautela entregar este produto para ser trabalhado, mas sempre alguem diz leve para o eufigenio pois este produto é do tipo que ele gosta de trabalhar. bem, caso haja de sua parte interesse em conhecer somente conhecer sem compromisso, fico no aguardo de uma resposta sua, para poder mandar materias tais como fita de audio, video e book, ou até mesmo o produto. gratos pelo menos por ter lido, pois sabemos que seu tempo é precioso um grande abraço e muito sucesso em suas jornadas.</font></p>
<p><font color="#993366">Azulão Produções Artísticas</font></p></blockquote>
<p>Estamos diante da seguinte situação: um negociante A afirma ter um “ótimo produto” e está a oferece-lo a outro, o negociante B. O negociante A se coloca de forma muito humilde diante da situação de “incomodar” o negociante B e se desdobra em elogios chegando ao ponto de agradecer pelo simples fato do negociante B ler a mensagem eletrônica, dada a preciosidade do seu tempo. O negociante A se refere sempre à artista como um “produto” e coloca à inteira disposição do negociante B para avaliação, fitas de audio, vídeos, book e até mesmo o próprio “produto”. Ainda afirma a certeza do sucesso do “produto” depois de passado pelo crivo do negociante B.<br />
Uma primeira leitura, mesmo que superficial, evidencia dois fatos:</p>
<p>· O negociante A tem uma espécie de reverência com o negociante B, “enchendo-se de dedos” ao dirigir-se a ele e tratando-o com muito respeito e até um certo temor.<br />
· O profundo desrespeito do negociante A à artista, um ser humano a quem ele reduz a “produto”.</p>
<p>Acho essencial que qualquer pesquisador que se debruce sobre o estudo dessa música feita na Bahia e que impregna as rádios e as casas de espetáculos e mobiliza anualmente milhares de pessoas e milhões de dólares em todo país e até fora dele, seja o seu enfoque musical ou social, esteja ciente dessa situação. Vou além quando penso que qualquer pessoa que trabalhe com música nesta terra tem a obrigação de ser sabedora desse fato. Afinal de contas, o nosso foco de trabalho ou de estudo é a música produzida por essa artista a quem denominam “produto”. Como mantenho freqüentes contatos com algumas pessoas desse meio e estando sempre atento aos detalhes e especificidades dele, posso garantir-lhes que esta é a situação da maioria dos artistas que trabalham atualmente nesse tipo de música, sem poupar inclusive os mais famosos.<br />
Estamos numa terra onde cada vez mais, a musica é medida pela quantidade de dinheiro que ela pode gerar, onde somos obrigados a assimilar &#8220;sucessos&#8221; através da mídia em geral e esta por sua vez, fabrica estes &#8220;sucessos&#8221; a partir de quem lhe pagou maiores &#8220;jabás&#8221;; onde o artista, numa parte substancial dos casos, não passa de um simples empregado que recebe ordens de o que gravar, o que vestir, o que falar, o que comer e sabe-se lá mais o que de quem realmente fica com o dinheiro: o empresário.<br />
O caso dos artistas mais conhecidos do grande público e que fazem mais shows, vendem mais discos e por conseguinte dão mais lucro, é bem melhor: ganham muito mais e até têm uma relação de trabalho mais digna. Mas, ai de qualquer um deles que não se submeta à maratona de 25 ou mais shows por mês, recheada de incontáveis entrevistas e compromissos sociais nas cidades por onde passam. Coitado de alguém que não queira cantar aquela música que a filha do prefeito ou deputado que contratou o show adora. Tenho pena da cantora ou dançarina que não queira, por princípios ou por qualquer outra razão, colocar aquele minúsculo shortinho e dançar de forma insinuante durante a apresentação. E se esta mesma cantora ou dançarina se irritar com o avanço sem escrúpulos do filho do contratante ou até do próprio, está frita. E o pior de tudo é que com suas roupas caras e seus carros importados, esses artistas dão a falsa impressão de estarem milionários e ajudam a deturpar mais ainda a situação.<br />
Na sexta-feira passada, (06/06/97), tivemos a satisfação de contar com a sabedoria de Conceição Perrone enriquecendo o nosso conhecimento com a história da música no Brasil. Para mim em especial foi muito bom pois tive a oportunidade de questionar conceitos já cristalizados e me tornar conhecedor de muitos fatos dos quais não sabia. Depois tivemos a oportunidade de ouvir várias músicas de vários momentos históricos e de enveredarmos por uma gostosa discussão em torno da evolução da música brasileira no período enfocado. O nosso Bernard, como bom observador e alemão que é, quis saber como uma música rica como a nossa, com tantos elementos interessantes evidenciados pelas audições propostas por Perrone, poderia se transformar nos “pagodes e axés” da vida, de qualidade tão questionável? Talvez o e-mail reproduzido neste texto ajude-o a encontrar a ponta do icebergue que é a resposta. O que vocês acham?</p>
<p>Luciano Carôso, 8 de junho de 1997</p>
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