Ideias privadas, memórias públicas…

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O blog de Luciano Caroso: etnomusicologia, ciberspaço, tecnocultura e outros bichos

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Arcervo on-line do Instituto Moreira Salles

[http://www.ims.com.br]

Não sou acionista (quanta pretensão :-)) nem tenho conta no Unibanco, empresa que mantem o Instituto Moreira Salles (IMS), responsável pelo acervo on-line. Meu parco dinheirinho só demanda uma conta no Banco do Brasil. Poucas vezes, porém, encontrei um sítio pela internet que fosse tão útil para as minhas pesquisas. Considero a parte de música brasileira do acervo on-line do IMS, um verdadeiro oásis para o pesquisador de MPB. Oferece acesso gratuito a milhares de gravações de discos antigos, que cobrem o período do surgimento da indústria fonográfica no país, em 1902, até 1964. Este acervo provem, principalmente, das coleções particulares de discos de 78 RPM de dois conhecidos pesquisadores brasileiros: José Ramos Tinhorão e Humberto Franceschi. Juntos eles detinham cerca de 70% de tudo que foi gravado no Brasil no período (pelo menos é o que dizem por aí). Agora estes fonogramas estão sendo digitalizados e colocados à disposição do público através do sítio. Previsões publicadas na imprensa, no início de 2005, apontavam para 100 mil disponibilizados até o final deste ano. Não posso garantir que este número seja real mas hoje, 03 de dezembro de 2005, há 1800 fonogramas de Francisco Alves, por exemplo. Bahiano, Eduardo das Neves e Mário Pinheiro, três dos principais nomes dos primórdios da Casa Edison e das gravações, somam juntos 1368 fonogramas disponíveis para audição no sítio do IMS. No caso destes últimos, é um número significativo, pois falamos de discos fabricados há um século. Orlando Silva (585 fonogramas), Carmen Miranda (505), Araci de Almeida (474), Nelson Gonçalves (420), Dircinha Batista (307), numa época onde floreceram e brilharam muitos outros, nos dão uma pista que os tais 100 mil não seriam exagero. A qualidade do trabalho de digitalização, do ponto de vista musicológico, é bastante satisfatória. Preocupou-se em manter o máximo possível do que resta do áudio das gravações muito antigas, levando-se em consideração aspectos como variantes de rotação e procurando-se não interferir com modificações que a tecnologia atual permite, no que foi originalmente registrado. Claro que não se deve esperar como resultado sonoro, a qualidade à qual estamos acostumados em nossos dias. Chiados e ruídos às vezes são muito comuns, pricipalmente nos fonogramas mais antigos. Porém a música está lá, tão original quanto possível. E, a bem da verdade, os chiados são um charme a mais para aqueles que, como eu, ouvem essas gravações como um tesouro escondido, que agora começa a ser revelado e que será suporte inestimável e obrigatório para quem for fazer estudos na MPB deste período. Lá encontrei o que são pra mim verdadeiras preciosidades: quatro versões do Isto é Bom (citei-o no post do dia 2 de dezembro de 2005), incluíndo a famosa feita por Bahiano (provavelmente uma prensagem posterior da matriz do que foi tida como primeira gravação feita Brasil). Mário Pinheiro cantando a modinha Quiz Debalde (também de Xisto Bahia como o Isto é Bom, com texto de Plínio de Lima). Seis das 10 gravações feitas pela Banda da Polícia Militar da Bahia, na época regida pelo maestro João Antônio Wanderley, em excursão feita ao Rio de Janeiro, por volta de 1916 além de gravações e/ou composições de gente da Bahia que não se ouve falar muito mas que são muito importantes para o meu trabalho de pesquisa como José de Souza Aragão, Claudionor Wanderley, Georgina Erisman, Olga Praguer Coelho, Gordurinha, Walter Levita e vários outros. Pude também fazer a alegria de minha mãe e de amigos, achando gravações que pra eles têm grande valor sentimental e que teriam possibilidade quase nula de serem relançadas comercialmente. Ajudei uma amiga garimpando gravações originais do cancioneiro nacional que teriam sido posteriormente registradas por João Gilberto. E muito mais. Enfim, o sítio é imperdível!

3 comentários para “Arcervo on-line do Instituto Moreira Salles”

  1. 1
    José Maria dos Santos Morais Júnior:

    Meu Caro amigo,

    Sou Sargento da Banda de Música da PMBA e gostaria de saber como podemos adquirir a Seis das 10 gravações feitas pela Banda da Polícia Militar da Bahia, na época regida pelo maestro João Antônio Wanderley, em excursão feita ao Rio de Janeiro, por volta de 1916. Pois estamos a alguns anos tendando obter essa raridade.

    Agradeço desde já

    Morais

  2. 2
    Luciano Caroso:

    Caro José Maria:
    Acesse [http://acervos.ims.uol.com.br] e digite as palavras [batalhão polícia banda bahia] na caixa de pesquisa. Você receberá como resultado 8 entradas. Duas delas são versões diferentes da mesma gravação. Pode-se ouvir. Com relação a obter tais gravações, não sei detalhes. Talvez no sítio do IMS haja informações a respeito. Eu as “capturei” gravando no Audacity enquanto fazia a audição em meu computador.

    []s,

    LC

  3. 3
    Ivo Ricardo Wanderley:

    Caro Luciano,

    Eu estudo a genealogia da família Wanderley e gostaria de obter informações biográficas sobre o Maestro João Antônio Wanderley, incluindo, se possível, informações genealógicas. Será que você teria alguma referência para me passar?

    Abraços,

    Ivo Ricardo Wanderley
    Rio de Janeiro, RJ

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